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Assédio Moral – Um dos males do século XXI


Recebi esse texto de uma amiga querida e estou repassando por achar bastante oportuno, uma vez que a incidência é cada vez maior desse tipo de comportamento.

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Leia:

O tema harcèlement moral (assédio moral) na França; bullying (tiranizar) na Inglaterra; mobbing (molestar) nos Estados Unidos e murahachibu (ostracismo social) no Japão recebeu a primeira denúncia de uma jornalista inglesa, Andréa Adams que, após dois documentários sobre o assunto, com enorme repercussão, escreveu o livro “Bullying at Work” em 1992.

Andréa faleceu, de câncer, em 1995 em plena campanha para transformar em delito o psicoterrorismo no trabalho como ocorreu com a questão do assédio sexual. Mas hoje, ainda apenas a Suécia, Alemanha, Itália, Austrália e Estados Unidos tem legislação para proteger as vítimas do assédio moral.

Em nível mundial as pesquisas comprovam que as enormes quantidades de vítimas do Assédio Moral sofrem graves depressões, quebra de auto-estima, desenvolvem problemas de saúde generalizados, problemas familiares e alguns chegam a cometer suicídio. Mas o que é, realmente, o Assédio Moral? Aqui sim, em comparação com o assédio sexual, o assédio moral também é fruto da ação da chefia, que no uso do poder que lhe é outorgado, reserva-se, por vezes, o direito de torturar o seu subordinado de várias maneiras.

Estratégias do agressor

Escolher a vítima e isolar do grupo. Impedir de se expressar e não explicar o porquê. Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em frente aos pares. Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar. Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho. Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família e amigos, passando muitas vezes a usar drogas, principalmente o álcool. Livrar-se das vítimas que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as, frequentemente, por insubordinação.

silhouette of businessman and woman debating

A explicitação do assédio moral:

Gestos, condutas abusivas e constrangedoras, humilhar repetidamente, inferiorizar, amedrontar, menosprezar ou desprezar, ironizar, difamar, ridicularizar, risinhos, suspiros, piadas jocosas relacionadas ao sexo, ser indiferente à presença do/a outro/a, estigmatizar os/as adoecidos/as pelo e para o trabalho, colocá-los/as em situações vexatórias, falar baixinho acerca da pessoa, olhar e não ver ou ignorar sua presença, rir daquele/a que apresenta dificuldades, não cumprimentar, sugerir que peçam demissão, dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo, dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar, controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo do/a subordinado/a, não explicar a causa da perseguição, difamar, ridicularizar.

As manifestações do assédio segundo o sexo:

Com as mulheres: os controles são diversificados e visam intimidar, submeter, proibir a fala, interditar a fisiologia, controlando tempo e frequência de permanência nos banheiros. Relaciona atestados médicos e faltas à suspensão de cestas básicas ou promoções. Com os homens: atingem a virilidade, preferencialmente.

É evidente que muitos dirão que na função de chefia algumas “ações educativas” são necessárias. Particularmente diria mais ainda: qualquer chefe tem o poder e o direito de demitir qualquer subordinado, mas, torturá-lo psicologicamente não faz parte dos seus direitos em nenhuma hipótese!

É importante que façamos clara distinção entre as características de assédio moral e a pressão da chefia pelo cumprimento de prazos, metas e objetivos do negócio. Mais ainda, entendemos que a pressão da competitividade contagia a ação das chefias tornando-os exigentes e, muitas vezes fazendo-os considerar que seus subordinados podem fazer mais do que imaginam que podem.

Sem dúvida não discordo desse ponto de vista. Reforço que a exigência de superação sempre está acompanhada de significativa dose de confiança e preocupação pelo desenvolvimento dos subordinados.

A chefia pode, e deve, pressionar com frequência e exigir que seus subordinados se superem. Mas presumo que fique claro que não é a isso que se refere o assédio moral.(…)

A solidão de quem recebe um assédio moral é, também, extrema porque o medo do desemprego de um lado e o temor causado pela pressão cala as vítimas que não podem contar sequer com o apoio dos colegas que tem receio de tornar-se as próximas vítimas.

Por outro lado a queixa do fato aos níveis superiores na empresa pode consignar-se como choque de personalidades, ou egos, resistência à mudanças, nova forma de administração, reorganização ou, simplesmente, são rejeitadas.

Isso tudo porque, uma das características mais freqüentes no perfil do chefe torturador é o seu “bom mocismo”. Ele sempre está posando de bem intencionado, está sempre pensando no melhor para seu subordinado e, na presença de outros, seus discursos exploram o inverso do seu comportamento.

É um fato muito característico, parecendo que ele precisa reforçar esse comportamento para acreditar que o pratica, ou fazer os outros acreditarem.

Fontes (Bernardo Leite- Consultoria empresarial)/(IBGE-Grupo de estudos da Cidadania)

A ‘manipulação’ dos afetos e sentimentos.

O que está muitas vezes na origem do assédio moral é a rivalidade e/ou o ciúme. No mundo do trabalho, nas empresas, os métodos de gestão colocam cada vez mais as pessoas em situação de rivalidade, como se fosse necessário separar as pessoas, colocá-las umas contra as outras e o resultado disto é que temos cada vez mais individualismo, cada vez menos trabalho coletivo, visão coletiva para se defender.

O assédio moral é possível porque as pessoas estão sós. Quando há um grupo que se defende, que reage, o assédio moral pode ser parado, pode- se evitar a destruição das pessoas.

O assédio moral e suas consequências à saúde.

As conseqüências do assédio moral são de vários tipos e são muito graves no que diz respeito à saúde. São depressões e, eventualmente, suicídios. São também distúrbios psicossomáticos muito importantes e muito graves. Pessoas cuja saúde é destruída por distúrbios cardíacos, endócrinos e digestivos.

Estes distúrbios às vezes são irreversíveis. O que podemos constatar é que quanto mais o assédio moral é prolongado, mais graves são as consequências á saúde.

A importância da prevenção.

É fundamental antecipar para evitar este tipo de agressão e fazer um trabalho preventivo para que haja cada vez menos assédio moral. Vi pessoas que tinham resistido ao assédio moral e que, no final de uma luta, com apoio de advogados acabaram por serem ouvidas e reconhecidas como vítimas de assédio moral, mas eu diria que foram ouvidas tarde demais, após dois anos de combate,por exemplo.

Penso, num caso em que uma pessoa foi reconhecida como vítima de assédio moral e que foi indenizada mas, quando isto ocorreu, ela tinha perdido sua saúde, estava com problemas no casamento porque não tinha tido renda durante dois anos. Esta pessoa foi reintegrada no seu cargo depois de dois anos mas sofria de problemas cardíacos, problemas de diabete, de colesterol, de distúrbios que, infelizmente, estavam bastante avançados e esta pessoa não teve condições de retomar seu trabalho por motivo de saúde.

As consequências são muito graves a curto prazo mas, também, a longo prazo. Este tipo de procedimento leva a desmotivação, porque quando somos humilhados no local de trabalho, quando somos desqualificados não temos mais vontade de trabalhar, não se tem mais vontade de dar o melhor de si mesmo.

Acho uma lástima que se desperdice assim a boa vontade das pessoas que querem produzir, ser eficientes, que gostam do seu trabalho, levando –as a se sentirem desmotivadas com relação ao mundo do trabalho em geral.

Marie France Hirigoyen (pesquisadora francesa, psiquiatra, psicanalista)

Proposta

As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT* e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do ‘mal estar na globalização’ onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho .Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.

A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil.

(*) texto da OIT sobre o assunto no link e as imagens foram retiradas da internet (Google)

Fonte: NISEG - “Quanto mais dividirmos, mais multiplicaremos”.
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